discurso de posse

Vitor Mario Iorio

Rio de Janeiro, 8 de dezembro de 2014


Inicio saudando o Magnífico Reitor da UFRJ, Prof. Carlos Levi,
o vice-reitor, Prof. Antônio Ledo,
ex-Decana, Profª Maria Lúcia Teixeira,
a todo Corpo Social da UFRJ e digníssimos presentes.

Quero agradecer ao Vice-Decano Prof. Antônio José, ao Diretor da FND, Prof. Flavio Alves Martins, ao Diretor do IPPUR, Prof. Pedro Novais, ao Coordenador do Fórum de Ciência e Cultura, Prof. Carlos Vainer e ao Coordenador de Ensino da FND, Prof. Luiz Claudio Gomes, aos técnicos Senhorinha Cândida de Oliveira, da Decania, Marcos Nicacio, da FACC, Eliane Almeida e Denise Callegario, da FND, Admar Branco, do FCC, Viviane Penso e Marcia Braz, ambas do IPPUR, ao meu monitor de Gestão Pública, Victor Vieira da Cunha, aos alunos do CACO, CA do GPDes, CA de Administração, CA de Contábeis e CA de Biblioteconomia, companheiros de campanha. Companheiros da vitória. Muito obrigado.


Destaco, ainda, os Professores Helios Malabranches e Kleber Fossati, meus concorrentes na eleição, pelo comportamento correto de ambos na disputa. A disputa ficou para trás.Nos debates da campanha em agosto, usei sempre para iniciar minha fala uma frase dita pelo personagem Hamlet de William Shakespeare:
Estar pronto É tudo.


Hoje, vencida as eleições, me sinto muito seguro em afirmar que estou pronto para exercer o compromisso republicano de Decano do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas- CCJE. Estou pronto para fazer gestão pública numa universidade que nasceu pública e gratuita como a Universidade do Brasil.


Por esse compromisso, que não entendo como mero tocar burocrático, vamos produzir conteúdo acadêmico o que, fatalmente, modificará a cultura que hoje permeia as relações administrativas e acadêmicas na universidade. Vamos, também, nos comprometer em tratar todos os movimentos da gestão com transparência total.Vamos buscar nas instancias de poder da UFRJ consagrar a autonomia financeira das Unidades que compõem o Centro. Só aí então, conseguiremos realizar um projeto administrativo independente e seguro. Não podemos desconhecer que hoje os órgãos de controle do sistema administrativo e financeiro do país têm sido implacáveis com qualquer mal feito. Dessa forma, criam um coletivo, que, a cada dia cresce mais, de gestores com medo de gestar. Em nome da autonomia universitária, precisamos interditar esse processo, azeitando a máquina.


Não descansaremos um minuto sequer, sem realizar a convergência acadêmica, a unidade, a independência, e o entendimento do coletivo que compõe o CCJE. Já começamos o processo dando competência às Câmaras das Coordenações de Integração de Ensino, Pesquisa e Extensão. Nesses encontros, temos certeza, as demandas serão trazidas e discutidas pelos coordenadores de todas as Unidades do Centro.Pensamos que, qualquer projeto de solução para as demandas acadêmicas, hoje em pauta, há a necessidade imediata de se instalar o debate. Está nos nossos projetos para 2015 discutir e resolver a situação dos cursos novos e multiunidades do Centro. Assim como, a produção de dois seminários, um para cada período letivo, onde se discutirá qual a Universidade que nós queremos. De pronto, podemos afirmar que, a situação da UFRJ no momento atual é totalmente diferente daquela do século XX. Em menos de duas décadas completadas no século XXI, temos o dobro de alunos; em contrapartida, paralelamente aos concursos para quadro efetivo, temos ainda um número expressivo de docentes substitutos e temporários. Ainda nos faltam servidores técnico-administrativos e o avanço da política de terceirização de serviços é preocupante Certamente, não é o cenário ideal exigido por uma universidade de alta qualidade, modelo que ambicionamos para a UFRJ.


Estamos sem autonomia universitária. Vivemos uma crise institucional preocupante, que não só emperra o fazimento gerencial como instala uma cultura do cada um por si. Relações sociais individualista estabelecem afastamento de nossos pares e também, da sociedade. Temos que, ir mais longe nos debates. Provocarmos aquele que irá discutir as políticas públicas acadêmicas e republicanas. Reativaremos o projeto “Estudos Dirigidos da República Brasileira: Segundas Republicanas”.


Todas as segundas-feiras, às 18:00h, de forma itinerante caminharemos pelos vários auditórios das Unidades do Centro, para discutir a Universidade e a República brasileiras. Acadêmicos, técnico-administrativos, representantes sindicais universitários, representações estudantis, políticos e sociedade organizada têm esse encontro semanal marcado ao longo de 2015.


Discorro agora sobre um projeto muito especial para nós, toda a UFRJ e, principalmente, para o campus da Praia Vermelha. Trata da reestruturação e ampliação da Biblioteca Eugênio Gudin e da criação de uma Hemeroteca com a sua sala de consulta de vidro instalada nos jardins, entre o CCJE e o CFCH, no entorno do Palácio Universitário. Pensada para atender as exigências do IPHAN de não ferir a estética do prédio tombado, - área hoje decorada com cavaletes e alguns carros oficiais-, com certeza, transformará a cultura do campus.


Vale salientar que o projeto citado passa por um movimento efetivo de capacitação, tanto da Biblioteca como da Hemeroteca, às novas tecnologias da Informação; aumento de pessoal; e aumento substantivo do acervo. Nós vamos fazê-la. Vamos retomar o imaginário do campus universitário como o lugar do pensamento, da leitura, da convivência intelectual.


Ao falarmos em capacitação, também, nos referimos ao compromisso firmado com os servidores da UFRJ de realizar uma série de cursos e seminários visando a melhor qualificação de nosso corpo social. Para os servidores técnico-administrativos temos, também, o compromisso de lutar pela oficialização da jornada de trabalho de 30h horas semanais.


Finalmente, nos dirigimos aos nossos milhares de estudantes, - hoje o Centro conta com cerca de 10mil alunos-, acenando com nossa intenção de articulação com a instância central de Assistência Estudantil da UFRJ, para ser melhor discutida a política estudantil do Centro. Convidaremos o DCE e todos CAs para recebermos suas demandas. Debatermos. Buscarmos soluções.


Parece ousado. Mas é pouco para nós. Temos a utopia como meta. É lindo sonhar com a felicidade que o trabalho nos proporciona. Nos liberta.
E cito Karl Marx recorrendo à biografia que dele fez o saudoso Leandro Konder:
“o homem feliz é aquele que faz os outros felizes; a melhor profissão, portanto, deve ser a que proporciona ao homem a oportunidade de trabalhar pela felicidade de toda a humanidade”.

Portanto, esse corajoso testamento de intenção que apresentamos ao longo desse simples texto é um termo de compromisso de resistência a tudo aquilo que ameace a universidade pública e gratuita num país de grandes riquezas naturais e financeiras, mas de enorme desigualdade social.

Termino usando um pensamento de Bernard Shaw, próprio para o nosso desafio:
“Só os covardes não vivem O hoje, porque dão o amanhã como desculpa”.
Muito Obrigado

UFRJ Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas - CCJE
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